"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

poço de memória

Hoje ouvi e músicas que me levaram de volta aos idos dos 80. De todas elas, resolvi compartilhar algo que foi gravado pelos Inocentes. Segundo me lembro do que estava escrito no encarte do LP (isso mesmo, LP!), Clemente inspirara-se em Augusto dos Anjos para compor a letra:

Eu


Nas calçadas pisadas de minh'alma
passadas de loucos
estalam
crânios de frases ásperas

onde forcas esganam cidades
em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres oblíquas


soluçando eu avanço
por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos
polícias,
polícios,
vícios, vícios
fixam, ilham

eu.

sábado, 24 de julho de 2010

três pretinhos


Um pretinho que me veste: pele sobre pele.
Um pretinho me aguça e agita: seiva quente.
junto aos dois recordo outro

                                                                                           agora longe...

                                                                                       Meu desgoverno:
                                                                                         IN (V/F) ERNO?

                                  Um tubinho e um café,

                           me lembram doutro pretinho
                                           que esperei
                                        mas deu no pé.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

contestación a un amigo lejano

Mi rebeldia
amigo
es borrar fuego y furia
y seguir mansamente
el dibujo de los dias.

sábado, 17 de julho de 2010

força zero

chega
desse sorriso desmentindo o medo


agora é a fúria incontida
memória corrompida,
vírus letal
lágrima amarga.

escorrendo calada
a lava caminha
corroendo a vida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

responde essa!

Fuçando nos desenhos disponíveis para o blog, encontrei essa imagem de fundo... o que vc achou da mudança no site? responda, é muito importante saber...

um pouco do que me fortalece

Um pouco de poesia antiga: os Salmos Bíblicos. E não me importa a que deus ou anti-deus você adora ou desadora. Outro dia, assistindo a "O livro de Eli", vi um personagem dizer: "esse livro leva esperança ao coração dos fracos". Que seja.Impossível é não ver sua beleza.

Deus me livrará de perigos
ocultos
e doenças mortais.
Me cobrirá com suas asas.
Sua fidelidade será meu escudo.
Não temerei assaltos nem pestes,
seus anjos me pretegerão
e as pedras dos caminhos
não farão mal aos meus pés.
Deus me guardará e atenderá
ao meu chamado
é Ele quem me faz ser respeitado
demonstrando em sua glória
que é Ele mesmo
quem me salva.

Poesia contida no salmo 91.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

esperei
nem muito nem pouco, diria
 - que espera se pode medir
quando espera é decisão de não ir
antes que o cansaço arda mais que a ausência?

você não veio
não o vi vestido de rimas
e as palavras meninas
não tiveram com quem brincar.

sábado, 3 de julho de 2010

Por ocasião desses 37 anos...

Botar minha vida em verso
Não é opção ou sina:
Foi como aprendi viver
Desde que era bem menina.


Assim é que eu me movo
Do centro à periferia.
Se no centro há sofrimento
Tristeza, melancolia,
Corro pra margem e escrevo.
E essa minha autoria
É que já me fortalece
Pra praticar a mania
De sempre voltar ao centro -
Seja noite ou seja dia.


Quando no centro, transpiro:
Toco o amor, vivo, deliro
Fico louca, sangro, morro.
Mas a quem pedir socorro
Se sou eu que me atiro?
Por isso volto pra margem
Lambo as feridas, repenso
E a escrever, me miro
como fora um personagem.
Penso: tudo isso é miragem
Dor, feridas, sofrimento!
E assim calo o lamento das dores de tal coragem.


Me disseram que escrever
É reviver a ferida
Mas sei que há quem já nem entre
Nas arenas dessa vida,
Quem viva morno, dopado
Pensando estar no limite...
Pode até ser para eles
Não me peça que os imite!


O meu modo é esse outro
Acompanho-me de um jeito
Que sou duas,
a que vive
E a que escreve a respeito.
Desse jeito me controlo
De um modo assaz perfeito:
Na poesia consolo
As dores que ardem no peito.
Rio delas, desse rio
de dores que a vida traz.
Quando em palavras desfio
as dores, já fui capaz
de vencê-las com meu guiso.
De sorrir da agonia,
e esboçar esse riso
em forma de poesia.